Mapeamento das comunidades ciganas: distrito de Beja

O mapeamento das comunidades ciganas do distrito de Beja seguiu uma metodologia de recenseamento quantitativo assente num trabalho no terreno muito exaustivo, realizado “família por família”, e o registo fotográfico das habitações para comprovar as condições de vida da comunidade cigana.

Veio dar seguimento a um primeiro levantamento efectuado no ano anterior ao nível da cidade e do concelho.

Este estudo foi levado a cabo pela AMEC – Associação de Mediadores Ciganos de Portugal, em parceria com o Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza e apoio das redes sociais da região e do jornal Público, durante o mês de julho de 2018.

 


O estudo permite concluir que a população de etnia cigana no distrito de Beja aumentou 79,4%, comparativamente a um estudo realizado em 2010 pelo Centro Distrital de Segurança Social, o qual contava 2048 pessoas. O estudo actual contabiliza no distrito de Beja mais de 3600 habitantes de etnia cigana distribuídos por 767 famílias; uma população com grande prevalência crianças e jovens. Representa 2,4 por cento do total da população do distrito. Por concelho, Beja ocupa o primeiro lugar, seguindo-se os concelhos de Moura e Serpa.

Cerca de 70% vivem em casas de alvenaria (independentemente da qualidade ou lotação destas), 17% em barracas e 13% em tendas ou rulotes. As situações mais problemáticas afectam as comunidades de Beja, Moura, Serpa e Vidigueira.

Os resultados para todos os concelhos podem ser consultados na grelha:
Dados do Distrito de Beja – comunidades ciganas – julho 2018.

 


As principais conclusões foram enviadas pela AMEC em COMUNICADO À IMPRENSA:

Dados recolhidos no terreno durante o mês de julho de 2018 demonstram que a população cigana aumentou 79.4 % no período compreendido entre 2010 e 2018. Estes dados resultam da comparação entre o estudo de Caracterização da População Cigana do Distrito de Beja realizado em 2010 pelo Centro Distrital de Segurança Social de Beja, e o Mapeamento das Comunidades Ciganas realizado em Julho de 2018 pela Associação dos Mediadores Ciganos de Portugal (AMEC).

No âmbito do Projeto “nós damos o passo para o impulso” do Programa de Apoio ao Associativismo Cigano (PAAC) 2018, a AMEC com o apoio do Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti Pobreza e as Redes Sociais do Distrito de Beja, realizaram durante o mês de Julho junto da comunidade cigana do Distrito de Beja o seu recenseamento quantitativo e registo fotográfico habitacional como forma de comprovar as condições habitacionais da comunidade cigana.

Fatores importantes a considerar são:
– a população cigana do concelho de Cuba diminuiu 23.3%;
– Beja e Moura são os concelhos que agregam mais ciganos (3.8% e 6.4% respetivamente);
– O concelho de Ourique continua sem comunidades ciganas;
– Os concelhos de Castro Verde e Ferreira do Alentejo aumentaram mais de 100% (…)

 


O trabalho no terreno foi acompanhado pelo jornalista Carlos Dias, resultando na reportagem “Em busca dos ciganos do Baixo Alentejo: agora já os conhecemos um a um“, publicada no jornal Público, de 29 de Julho de 2018:

Os números nunca batem certo quando se fala de cidadãos ciganos residentes em Portugal. (…) Estrada fora, foram agora conhecer, um a um, aqueles que moram no Baixo Alentejo.

As disparidades nos números têm dificultado a integração dos ciganos no Baixo Alentejo, sobretudo na cidade de Beja, onde os responsáveis autárquicos alegam que a capital do distrito está a ser “invadida” por famílias vindas dos concelhos vizinhos. O fenómeno, referem, dificulta uma avaliação sobre o número real de famílias residentes com vista a um futuro processo de realojamento dos que vivem em barracas ou tendas.

Contar, uma a uma, as famílias ciganas residentes nos 14 concelhos do Baixo Alentejo parecia, à partida uma tarefa ciclópica, sobretudo quando se sai dos centros urbanos para o espaço rural, onde se sabe que reside em condições muito precárias um desconhecido número de famílias desta etnia. Para alcançar um tal desiderato só tendo alguém que soubesse onde as comunidades vivem neste tão extenso território. Anselmo Prudêncio, dinamizador no Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza, conhecia a pessoa indicada: o presidente da Associação de Mediadores Ciganos de Portugal (AMEC), Prudêncio Canhoto, que foi mediador municipal em Beja entre 2009 e 2016 (…).

Os dois estabeleceram um roteiro que, à partida, garantia um levantamento credível e rigoroso das famílias ciganas no Baixo Alentejo. Pela primeira vez, iria ser possível fazer o seu recenseamento quantitativo e o registo fotográfico habitacional como forma de comprovar as condições habitacionais das comunidades. O PÚBLICO acompanhou os contactos feitos em quase todos os concelhos e observou aspectos de uma realidade que não entra nas contas dos gabinetes autárquicos ou da administração central. Pela primeira vez, estava a ser feito o primeiro trabalho do género no Alentejo que iria ser comparado com o estudo de Caracterização da População Cigana do Distrito de Beja realizado em 2010 pelo Centro Distrital de Segurança Social de Beja.

(…) Apenas o concelho de Cuba registou uma descida no número de elementos da comunidade cigana. Os restantes 11 concelhos apresentam um aumento. A maior subida foi em Beja, com mais 825 cidadãos ciganos em relação a 2010. E tudo indica que este crescimento se possa acentuar. (…)

Carlos Dias, www.publico.pt, 2018/07/29 

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in Público 2018/07/29

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